sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

emancipado dengo - na edição 7+7 - ADÃO E EVA da FlanZine



emancipado dengo
Adão Adão Adão
engraxado Adão
por que não encontro a palavra exata
menino
por quê essa vaga na caixa torácica
homem
o torvelinho que você me deixou
o gato a cuidar o torvelinho
o pássaro preso no olho do torvelinho
todas as gerações na pequena folha só
desgraçada
no olho do pássaro
Adão Adão Adão
pressurosamente Cleusa
Maria Afonso
Airton Valadão que
foi para a Tailândia retirar costelas e colocar
gordura das ancas na boca feliz
Adão
folhas que ainda ousam mexer o barro
homi
porquê cercadas de toda presença com a lua
e o sol em Adão
escreveria boas novas boas
novas sobre o berço de tudo Adão
enviaria a fruta em chagas
porque viver em Adão
por que Adão
perceba o paraíso jamé cresceria para casa
família bons costumes
porcelana piano e lustres magníficos
digo Adão
matéria para degradar sob o signo da cruz
santa a casa psiquiátrica de detenção
amor entre irmãos
roer as unhas enquanto não
lustres magníficos Adão
e já me perdi 69 gerações mais
não volte a me procurar
querido
a febre me atocha a ser recato com grades
salivo esta última com a esperança
volte nunca a me procurar
cheiroso
significante em chagas
unhas carcomidas
Adão Adão no olho do pássaro
pássaro preso no torvelinho olho
pressurosamente
gato
emancipado dengo
gracioso nervo
odiado irmão
tua sempre tua
concessionária em vão




com militodos agradecimentos ao João Pedro Azul! 
comprem este e qualquer outro número da FlanZine aqui





sábado, 7 de janeiro de 2017

este e outros inéditos no ESCAMANDRO



boeuf bourguignon

com a DENTADURA PERFEITA da Angélica Freitas
mordendo meus miolos



escolho falar com você carne
de segunda
pretendida talhada martelada de segunda
não vamos falar de amor e nem vamos
trincar sobre o ódio
quero contar meus medos
carne quase mignon meus medos
a coleção só faz aumentar
imagino que com você é o mesmo
disso a escolha
a carne de segunda deve de
quase meiga por pouco mais dava pra encantadora
decidi por ter medo de colocar muitas
unhas na fala
imaginava e agora sei chicha de segunda
vejo sua retração
sua retração concorda comigo com
o medo das unhas na fala
e a carne de segunda é amaciada
soca-se uns alhos pelas retrações
ervas vinho barato libertinagem então fogo
o assado está como nunca
como nunca fica um assado como nunca
cheiroso enganado e fatiado
imediatamente partimos para
discussões de primeira





grata, Guilherme! :D
grata, Escamandrers! 




sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

grandessíssimos homens, mundo pequeno - 1






a cabeça é o cu da minhoca



em cores absurdas
um mau homem está morto
e assim permanecerá
foi enterrado à maneira
mais convencional
não foi velado
deixou bilhetinho para não ser rezado chorado
penso que bem podia ser
desenterrado velado e enterrado de novo
ordens que gastariam da energia comum
com um homem assim nem tão comum
em nada ordinário
do muito
ordinário
um velório com muito choro velas
sopa para os mais velhos
sopa para os recém chegados
corações de abóbora
para as crianças para os amantes
mas choro muito
do choro comum 

alguém chorou uma vez
energia desperdiçada não é energia

em cores berrantes
morreu um homem mau
em comum ao evento seria dizer
energia dedicada é energia comungada

em pouco estará misturado
o homem mau insone mau
reciclado pela mais comum metodologia
do mais comum planeta pisado









sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Londrix Apresenta: Sarau Carla Diacov )HOJE(




:D

"Carla Diacov tem raízes criativas na cidade de Londrina, onde se formou na primeira turma da Escola Municipal de Teatro e foi uma das fundadoras do TOU (Teatro Obrigatório Universal), realizou montagens memoráveis como ‘A Valsa Número 6’ (Nelson Rodrigues) e ‘A mais forte’ (August Strindberg).
Depois de se afastar do teatro, Carla passou a manter um blog e uma badalada página no TUMBLR, que ela alimenta constantemente com suas criações poéticas e visuais, destes trabalhos, surgiram 3 livros de poesias, 2 publicados em Portugal e um no Brasil.
O Sarau Carla Diacov é uma homenagem e uma celebração da obra da autora, que não estará presente, mas será muito bem representada por sua obra e um grupo de mulheres envolvidas na cena criativa da cidade de Londrina. Elis Regina Monteiro, Vivian Campos, Giovanna Triani, Thais Bastos Fernandes, Suy Correia, Mel Campus, Chris Vianna e Camila Fontes aceitaram com disposição a tarefa de apresentar ao público poemas publicados e inéditos da autora.
Além da leitura dos poemas, o evento terá uma exposição de fotos e obras da artista, além de discotecagem com as DJs Analua Ito, Silvia de Luca e Empório da Keiko (aka Katy Kakubo).

O Sarau acontece no dia 25/11, a partir das 9pm, no Cemitério de Automóveis, como parte da programação do Londrix, Festival Literario e a entrada é franca!"

Patrocínio do Festival Literário de Londrina - Londrix: PROMIC/MINISTÉRIO DA CULTURA/BIBLIOTECA NACIONAL
Apoio: GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ/SETI, UEL/PROEX, FUNDAÇÃO ARAUCÁRIA

Parceria: CULTURAL, RPC TV








segunda-feira, 14 de novembro de 2016

lhufas vão bem com vinho turvo





alguém diz que o dia é baldio
basta a vibração das palavras para
que um homenzinho
alimente o gato
corte os cabelos
acarinhe o pensamento sujo
de pássaros
basta a vibração
para
que o chão esteja
para que o chão receba o rosto e os joelhos
do corpo que cai com a visão
mandalas na radiação solar
basta o sol embutido nalgum sentido
do dia baldio para que
alguém comece a salgar a carne
lavar as folhas
alguém diz que o dia é baldio
alguém diz lhufas vão bem com vinho turvo
alguém com alguém passa 11 horas num
elevador entre o sexto e o sétimo piso
fazem um filho ou uma saída
o dia é baldio
alguém cai duro no sofá de bambu
alguém espera que o dia baldio acabe
então basta
esperar para que a noite chegue
inculta
cabendo a tudo
o dia na noite com salada
sujeira de pássaros
lhufas um filho uma saída





sábado, 24 de setembro de 2016

lançamentos entrevista aparições e onze dedos de jeropiga com Cândido Rolim na Germina Literatura


   





em Agosto


















ainda ainda ainda em Setembro (urra!)
a edição “resta um” da Revista Garupa publicou 4 poemas meus 
e a Diversos Afins publicou + 9 prosinhas!
(urra!)























e é isto!:
agora já posso escrever um bife, flertar c'uma árvore e vender um filho.
eia!



OBRIGADA QUERIDXS!


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

a metáfora mais gentil do mundo gentil - Edições Macondo - LANÇAMENTO











canja


em expansão
o ódio o amor
ainda que nada nada
em água em expansão
um banheiro em pleno ódio
onde jaze teu rosto quando
fundo aqui um amor cheio de ódio
o banheiro no ódio
você na banca de jornais
eu a ronronar alhos curry no banheiro
ódio e preces
um banheiro para o ódio que
o ódio que se come cru
abrir um banheiro para o ódio
ao ódio tudo porque o ódio
busca toda a satisfação o gosto de tudo
você na banca de jornais
eu na briga onde espero por ti
temperos gosto receitas
um deus faria o mesmo eu sei
pois deus faria o mesmo e fez
você na banca de revistas com ornatos para interiores
um banheiro todo para o ódio que te espera
há anos
há gerações
afio os punhos empunho a faca
como cortar um ovo meu deus do céu dos interiores
enquanto o jornaleiro faz lucro faço banheiro
quem nunca
jesus maria e josé
esfaqueou uma galinha
morta na pia borrada de creme dental
não sabe o que é o ódio de um amor tão macio
suculento
quem nunca meteu alhos pelos furos na bendita
quem nunca escorregou junto do choro da baba
quem nunca se machucou num tanto amor
quem nunca morreu no banheiro cravado no ódio da espera
amor
quem nunca leu nesses olhos a manchete ordinária
quem nunca amolou um garfo nos dentes do todo ódio
tamanho banheiro em pleno ódio
preces
um banheiro na cozinha em pleno ódio amor
em expansão
se esse banheiro fosse um cofre
se todo meu ódio fosse esse ladrão
















O LANÇAMENTO:



a metáfora mais gentil do mundo gentil 
(de onde o poema acima)
será lançado
dia 25/09 a partir das 22h (AMANHÃ!)
junto do evento maravilha que a Macondo realiza
periodicamente 
o
Eco - Performances poéticas 
no Café Muzik
Rua Espírito Santo, 1081 - Juiz de Fora, MG


O LIVRO:


Uma das poetas mais instigantes da nova geração chega às Edições Macondo trazendo uma "poética dos banheiros". A metáfora mais gentil do mundo gentil, primeiro livro de Carla Diacov editado no Brasil, é um apanhado íntimo de situações e registros de uma voz espantada e eufórica, que corre linhas como se deixasse aberta a porta do banheiro público e chamasse os leitores ao redor.


Ilustração da Capa: Anna Mancini
Revisão: Anelise Freitas
Número de páginas: 40
ISBN: 978-85-921140-2-2


SOBRE A AUTORA:


Carla Diacov é uma poeta brasileira nascida em São Bernardo do Campo em 1975. É formada em Teatro e possui poemas publicados em diversas revistas no Brasil e em Portugal. Amanhã alguém morre no samba, seu livro de estreia, foi publicado em Portugal, em 2015, pela Douda Correria (pedidos com Nuno Moura no miasoave@sapo.pt). 
Ainda esse ano lançará Ninguém vai dizer que eu não disse pela mesma editora.






para comprar
a metáfora mais gentil do mundo gentil:







(release mais gentil do mundo gentil de Otávio Campos.
fizemos esse livro com muito amor, com todo carinho, através de um caminho onde somente lindas surpresas. todo meu coração com Anelise Freitas, Otávio Campos, Anna Mancini e os Maconders que ainda não conheci. amanhã seremos! OBRIGADA, queridos!) 






(e aqui a matéria que o querido Mauro Morais fez para a Tribuna De Minas)

abra, por favor, em outra aba: a leitura fica mais confortável!





segunda-feira, 8 de agosto de 2016

bip - you win again





mania
me chamava de mania
mania vem cá ver o leite da fervura
olha lá um acidente
um ônibus atropelou um hidrante para
não atropelar o gato preto
mania presta atenção
vê a senhora que desce cambaleando o busão?
bateu a cabeça no marido e
onde estrará o frango assado do domingo?
mania mania não me engana mania
olha bem olhado isso aqui é prêmio
estamos no quinto andar e temos um postal vivo
de uma sorte grande
a senhora continua cambaleando vai entrar aqui
já passou a portaria quer apostar?
mania corre ver o olho mágico a
senhora vai aparecer ali em cinco ou menos minutos
mania mania algum sinal da cambaleante?
entrou ao apartamento da frente
arrastando pingos de sangue da testa
mania vista aquele vestido pink e devolva a flor
de papel que te fiz
vamos levar o gato uma bacia um caderno três canetas
a mala com selos achocolatado lacrado maquiagem
diana ross dionne warwick bee gees
meu coração é seu você sabe
ó mania
mas a tarde terá dias demais para essas bobagens

e nos mudamos a contar selos e higienizar a testa
da viúva sem o frango do domingo
















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(miasoave@sapo.pt)





sexta-feira, 15 de julho de 2016

bip - nascida para ser boa





caminhar pelas linhas dessa rua
numa tarde de feriado nacional
sequestrar o momento da pomba sobre o dedo da estátua
lamber o caminho do sorvete derretido derretendo
/saber que me olham com horror e gostar // ah como é bom ser terrível/
manchar a manga da camisa que você me deu
imaginar todas as possibilidades do pistache
com tudo do propósito
jogar a cabeça para o lado
encarar o casal de formigas
forjar um bico de desaprovação
sentir formigar os olhos na separação
/saber que me olham com horror e gostar // ah como é bom ser terrível/
voltar as linhas da rua
tocar seu telefone que toca sua secretária
eletrônica
oi sou eu
quando você foi embora
levou junto aquela camisa que me deu
procure por favor tenho reunião na quarta
e estou sem camisa para a ocasião e isso n bip

assistir ao último capítulo da novela
usar meus poderes para que Alberto morra
que Solange passe seus últimos minutos no
colo do cirurgião plástico e que as crianças
voltem para o orfanato













&








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quinta-feira, 26 de maio de 2016

Amanhã Alguém Morre no Samba





e é isso!
essa imensa alegria:
temos um bom apanhado de poemas de
Amanhã Alguém Morre no Samba (Douda Correria - Portugal - 2015)
na apetitosa Modo de Usar & Co.








(obrigada, Ricardo Domeneck!)




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